24.3.13

Nuevas voces



Filha da Bahia


La música y actriz brasilera Sandra Simoes editó su primer disco: “Sou Bamba e Rock’n’Roll”. Con declaradas influencias tropicalistas y una relectura del samba a través del rock, incluye un dueto con Caetano Veloso, a quien había celebrado previamente en un show musical basado en su obra.






Diego Oscar Ramos


        Si bien es ahora cuando ha editado su primer disco, la cantora brasilera Sandra Simões tiene un largo recorrido en la escena artística de Salvador, tanto dentro de la escena teatral independiente de Bahía como en la musical. Y los que ya venían siendo imantados por la fuerza de su trabajo reinterpretando viejos sambas o dándole una mirada propia a la obra de Caetano Veloso, seguramente tendrán más de un buen momento en la escucha de su primer disco. Porque esta artista que ha compartido escenarios con músicos como Seu Jorge,  Vânia Abreu o Elza Soares, ha presentado 13 canciones donde pueden rastrearse tanto sus reconocidas influencias del tropicalismo, la presencia constante del mejor samba y su amor por ese rock visceral de músicos como Raul Seixas. Antes que una mezcla muy racional de géneros, como lo ha declarado la música, el foco de la grabación ha estado en la actitud que cada uno de ellos tiene implicados, lo que podría resumirse para Simões en una combinación de flexibilidad y potencia. Como suele acontecer con todo aquello que Veloso celebra o señala como importante, su participación en la canción "Cara de Pau" pone al disco en una clara zona de visibilidad que la placa merece. Y a la que tiene con qué responder, por la creatividad con que fue hecha. Y por su actitud, mezcla de  osadía de quien quiere entrar a la fiesta de la música popular brasilera y respeto a quienes la vienen protagonizando con talento, desde hace décadas.  



- Como falaria da tua mistura de rock com samba?
- Acho que meu envolvimento com o samba é super tropicalista. O nome do meu CD é “Sou Bamba e Rock ‘n’ Roll”, quero com isso dizer que, mais do que cantar, compor e navegar por esses gêneros musicais, e entre eles, outros tantos, meu trabalho tem atitude, ousadia e “dengo”. Vai aqui um trecho da música que dá título ao CD, de autoria de Jarbas Bittencourt que também assina a produção musical do CD: “Eu que sei de outras malandragens / Eu que sou da Penha, sim, senhor / Eu que sou do samba de garagem / Sou bamba e rock ‘n’ roll”.

- Que importância acha que teve o tropicalismo na vida cultural do teu país e do mundo?
- Eu acho que o movimento tropicalista está entre os acontecimentos da história do planeta, que são “orquestrados” por uma força maior, por uma conjunção astral. Verdade, eu realmente acho. Embora diga respeito diretamente ao Brasil, acho que se relaciona com outros grandes movimentos estéticos, artísticos, culturais, comportamentais de caráter universal. Transformou a sociedade brasileira e o ponto de vista do mundo em relação ao Brasil. Vanguarda, ousadia e resistência, assim eu penso o movimento tropicalista.


- Você tem interpretado muito a Caetano Veloso e ate tem uma participação dele no teu disco. Que diria dele como influencia artística?
- Pra mim, a sua obra é uma grande referência! Sinto-me, como sempre digo, uma herdeira do movimento tropicalista e considero que seja a minha maior influência. E aí eu falo também de Gil, Gal, Mutantes, Tom Zé.

- Gostei muito de musicas tuas como “Comigo ninguém pode”. Me fez lembrar climas culturais do recôncavo baiano, ate de celebração quase religiosa e muito comunitária.
- Eu acho que o samba também traz um pouco dessa alusão às questões espiritualistas, como característica.  O samba tem a sua raiz no candomblé e herda os ritos e a nobreza dessa religião, com muita dignidade. A canção Comigo Ninguém Pode tem um pouco essa força, mas a minha composição navega por rios diversos. Sou inquieta e curiosa.

- Muitos músicos do Brasil falam que não fazem MPB, porque não consideram bom que se use como marca de todo músico popular brasileiro. Que sente com essa ideia? E você mesma sente que faz MPB?
- Sim, sinto que faço MPB e acho que, muito mais que um gênero, essa sigla traduz a riqueza e a força da música e da musicalidade brasileira.

- Que importância você acha que hoje tem a radio para a difusão e a evolução de artistas como vc?  Pergunto, um pouco pela premiação e pelo apoio que teve da Radio Educadora, mas tambem pelo uso que hoje tem os sites, as redes, os blogs para a difusao musical.
- A rádio, pra mim, é insubstituível! Talvez esteja sendo nostálgica e romântica com essa resposta, mas ainda acho a rádio um grande meio de comunicação e que tem sobrevivido bravamente! Porém, isso não me afasta do mundo virtual, que considero uma revolução. O artista independente ganhou uma grande aliada com as possibilidades da web. Sou uma artista absolutamente conectada.

- Que lembrança teve da experiência cantando acima do trio elétrico? Deu para entender de outra forma o próprio carnaval de Salvador?
- Diego, eu adoro carnaval, sempre foi a minha festa favorita! Adoro a mistura, a música, a liberdade e a magia que o carnaval inspira. Cantar em um trio elétrico é uma experiência única! Sinto-me muito a vontade, afinal, estou em meu habitat. Carnaval é um grande festival de música, talvez, o maior do planeta.

- Você acha que ter nascido na Bahia é um valor especial para se dedicar à arte e a musica?
- Não posso negar que a Bahia é um “terreiro” artístico e que é uma cidade bastante inspiradora, mas acho que seria artista nascendo em qualquer lugar do planeta.

- Tenho escutado entre artistas baianos, que o jeito local de revalorizar especialmente o acervo cultural afrobaiano pode deixar fora muitas outras expressões estéticas. Que opina desta ideia?
- A Bahia é muito mais diversa do que se imagina e se sabe pelo mundo afora. A diversidade é a nossa maior riqueza! Aqui nasceu Raul Seixas, o precursor do rock, no Brasil. Aqui nasceu João Gilberto, um dos maiores e mais importantes músicos do mundo, aqui nasceu Caetano, Gil, Gal e Tom Zé, os pilares do movimento tropicalista e muito mais! A cultura africana é a nossa matriz, mas estamos abertos para o mundo, sim!


- Foi valioso ter formação teatral para trabalhar com a arte musical?
- Sim, são artes que se completam e se apóiam. O teatro me deu as ferramentas necessárias pra transitar com mais segurança quando estou no palco. Trouxe também, disciplina. O ator tem uma relação muito sagrada com o palco. 

- No teu perfil de Myspace tem escrito que você "carrega a arte como matéria prima da vida". Gostaria que falasse mais dessa filosofia existencial.
- Sim, a arte é minha essência maior! Vejo o mundo através da arte, falo com o mundo através da arte e me posiciono neste planeta como uma artista. Quando digo isso, não estou falando de glamour e nem de sucesso, estou falando de ofício, quase um “sacerdócio”, estou falando de opção e filosofia de vida. A minha arte existe independente do reconhecimento, existe porque precisa existir. 


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