8.2.12

BaianaSystem



Rescate emotivo


 El grupo de Bahía revaloriza la guitarra baiana, instrumento que fuera uno de los esenciales de los viejos carnavales donde el frevo era el corazón rítmico. Lo hace a través de una relectura electrónica que puede incorporar el dub jamaiquino o la cumbia, sin perder nunca su identidad brasileña.  

Diego Oscar Ramos


     En la tierra donde poderosos referentes como Carlinhos Brown y Ramiro Musotto han demostrado que lo más novedoso puede llegar al releer fuentes tradicionales desde perspectivas alternativas, BaianaSystemes una agrupación de Sao Salvador da Bahía de Todos os Santos que tiene por objetivo fundacional valorizar a la guitarrabaiana. Y es el instrumento que suele mencionarse desde varias fuentes como el antecedente de la guitarra eléctrica el que toman como sonoridad básica de una propuesta que se sirve tanto de las posibilidades técnicas de la electrónica actual como de cierto espíritu estético del movimiento sound system jamaiquino. De estas mezclas habla en esta entrevista el músico Roberto Barreto, alma creativa y voz principal de una banda no tradicional que adora reconocer y transformar fuentes históricas como el frevo nordestino y hasta la cumbia, pasándolos por el filtro del dub y hasta aportándoles sabores de cumbia.


- Qual é a proposta do Baiana Soundsystem? E até onde vai a improvisação na banda?

- A proposta do BaianaSystem é justamente essa, brincar com as bases, interagir com elas e com os músicos, e criar sempre algo novo a partir do que já temos. Dificilmente tocamos a mesmo música da mesma maneira duas vezes. Cada show tem um clima, uma interpretação. Depende de como as bases batam, de como o DJ coloque os delays, como a percussão se coloque. Talvez ai tenha um pouco da liberdade e criatividade do jazz. Hj por exemplo, dentro da mesma base de uma música do disco, temos mais letras, guitarras, melodias ou linhas de baixo. No repertório o nome é o da música do disco, mas ao vivo parece mais 3 novas ehehe. A idéia é justamente propor o riddim -base- e a partir dai criar ao vivo.

- A guitarra é o elemento central da banda, o que "brilha". Essa mistura da guitarra baiana com um DJ rendeu muitas críticas ou as pessoas entenderam e souberam reconhecer o diálogo que vocês propõem, dando mais liberdade para a criação musical? 

- Acho que esse é exatamente o diferencial! Quando se coloca a guitarra baiana em outro universo, com outros timbres, bases e texturas, mostra-se ela com infinitas possibilidades. A interação com voz e dj por exemplo, alimenta as idéias da guitarra o tempo todo. Muitas vezes uma idéia de Russo leva a guitarra a um novo lugar, ou vice versa. Uma linha de baixo que Seco mexe, também muda a maneira que a guitarra se coloca. Esse diálogo faz a guitarra estar sempre  em movimento e pode também trazer as suas referências de maneira mais clara. Se uma base de Chico me lembra uma caixa de bateria do Tapajós, a guitarra toca com essa referência.

- Esse diálogo entre experimentacão, guitarra baiana e batidas eletrônicas logo deu resultado ou vocês foram testando ensaiando bastante até chegar nesse resultado? Foi uma mistura simples de fazer ou deu mais trabalho do que vocês pensavam?

- A experimentação na verdade continua, nunca para. Ainda temos muito a evoluir e experimentar. Tivemos um primeiro resultado, que foi o disco. Foi bom, mas foi só um ponto de partida. 


- Salvador é o epicentro da guitarra baiana. Existem iniciativas buscando aproximar esse instrumento tão tradicional às novas gerações?

- Sim várias. Participo de um projeto desde o início criado pelos  Retrofoguetes, chamado Retrofolia, onde a gente tocava muito do repertório tradicional de guitarra baiana, e fizemos umas 5 festas e também shows no carnaval em palcos e trios elétricos, e é muito importante. Morotó tem se destacado e hj tem muitos alunos de guitarra baiana O Julio Caldas também vem fazendo um trabalho bem legal, com encontros constantes e troca de informações. O Fred Menendez também, faz isso há muiito tempo dentro e fora do Brasil. O trabalho de Luthiers para o instrumento vem crescendo também, e hj além de Elifas Santana, temos nomes muito importantes e em igual nível de construção como Jacimário (M Laghus, da qual sou endoser),  Fábio Batanji, Marinho e outros que estão surgindo. Tem também uma comunidade muito ativa de guitarra baiana, comandada por Marcos Devolder, do Rio de Janeiro e a escola de guitarra baiana comanda por Aroldo Macedo.

- Como vocês se conheceram e deram início à banda?

- Bom, o BaianaSystem surge como um projeto que tem a guitarra baiana como um ponto de partida, dialogando com outros estilos musicais, artistas variados e também buscando um repertório inédito para o instrumento. Dessa maneira comecei a gravar as músicas que seriam do disco ao lado de Marcelo Seco, que produziu o disco comigo e Andre t. Nesse processo, Russo veio colaborando de maneira cada vez maior, até efetivamente acharmos uma linguagem e uma maneira que a guitarra e a voz, tivessem um diferencial e uma identidade. Dai surge esse núcleo com nós três trabalhando na criação. Como não temos o formato de banda, algo que viabiliza isso é tocarmos com a referência de soundsystem, com as bases tocadas e manipuladas ao vivo, que vem sendo feita e construida ao lado de um dos nomes mais importantes nisso hj no Brasil que é Chico Corrêa. E outro elemento que incorporamos ao som de maneira significativa foi a percussão, que foi gravada e sampleada no disco por alguns músicos, e hoje ao vivo,  Wilton Batata comanda os ritmos orgânicos do BaianaSystem. De uma maneira geral, poderia dizer que cada um de nós tem uma ligação muito grande com a cultura da Bahia, de Rua, de carnaval. Ao mesmo tempo que busca relações e dialógos com o que vem sendo produzido hj no mundo inteiro, nisso que chamam de música urbana. Passando por referências de música africana, jamaicana, brasileira, caribenha.
  

- Como se envolveu com a guitarra baiana? Quais mestres influenciaram, despertaram interesse?
- Me envolvi com o instrumento na verdade bem cedo, a guitarra baiana e o bandolim foram meus primeiros instrumentos, onde aprendi a tocar. Usei ela um tempo antes de mudar para a guitarra e aos poucos fui buscando maneiras de trazer ela para os trabalhos que participava. Toquei por um período na Timbalada onde usava sempre a guiatarra baiana no carnaval e nos ensaios do GuetoSquare. Depois nos Lampirônicos, usei a guitarrinha na gravação dos 3 discos do grupo e em todos os shows. Toquei também com Ramiro Musotto, onde usava exclusivamente guitarra baiana, e já de outra forma, com bases eletrônicas e tal. Os mestres que influenciaram a toda uma geração sem dúvida foram primeiro os criadores, Dodô e Osmar e seus herdeiros diretos, Armandinho e Aroldo Macedo. A partir dai, vc tem uma série de grande guitarristas que beberam nessa mesma fonte mas tinham tb muita influência e estilos próprios. Durante muito tempo aqui em Salvador vc tinha um escola de guitarristas que desfilavam nos trios. Nomes como Dico, Aderson, Renatinho, Luiz Caldas, Missinho, Fernando Padre e muitos outros.

- Como enxergam  a cena musical atual de Salvador? Vocês diriam que é uma capital de um estilo só ou hoje a mistura de estilos é mais rica?
- Hoje no Brasil, por conta das mudanças que tem acontecido no mercado musical e na forma de se produzir e difundir música, as coisas estão muito mais pulverizadas e muitos artistas de diferentes estilos tem aparecido, feito shows e difundido seu trabalho. Acho um momento muito criativo e de grande volume de coisas boas também, e a Bahia também reflete isso. A Bahia nunca foi um lugar de um estilo só, sempre se criou muito aqui e em todos os estilos. O que aconteceu aqui e ainda acontece, é que a midia local e a forma que o mercado daqui se organizou, não deixa isso aparecer, vir à tona. Mas acho que isso tem mudado. Não por conta de uma mudança da forma deles divulgarem ou noticiarem, mas por conta dessas várias maneiras que temos hj de divulgar. Mesmo que não se toque ou fale nos telejornais por exemplo, o público vem tomando conhecimento disso, prinipalmente fora daqui. Ai depois volta de fora pra dentro, como sempre acontece aqui na Bahia. Isso acho que podíamos melhorar. 

- Vocês tem viajado bastante para fazer apresentacoes, já foram para a China e fizeram até um workshop lá. Como foi explicar para os chineses o poder da guitarra baiana? E como foi a experiência de tocar lá?
- Nós tocamos em Shangai em outubro de 2010, durante a Expo, e voltamos agora em maio para participar de um Festival de World Music em Shangai. Foi muito bacana ver a forma que eles percebem nossa música e como ela pode ter diferentes significados. O festival que tocamos tinha artistas de toda parte do mundo, e eles entenderam nossa música como algo "folk", de forte ligação com a cultura local, e acho que a guitarra baiana colabora muito pra isso, desperta muito interesse realmente. Mas também todos os elentos que trazemos agregado a isso, como a percussão, as bases, a parte visual produzida por Filipe Cartaxo e que hj faz parte da nossa identidade e é um diferencial no show. A forma universal e ao mesmo tempo local de Russo cantar, tudo isso chamou a atenção de maneira positiva. Levar isso pro outro lado do mundo, literalmente, é muito gratificante. A gente até brinca dizendo que "nossas mães diziam que a gente não ia muito longe com esse negócio de música, e a gente foi parar na China, muuuuittto longe".

- Vocês recentemente participaram de um videoclipe do Jota Quest. Com quais outros artistas vocês tem feito trabalhos e parcerias?
- Na verdade o BaianaSystem já surge com  essa idéia de parceria, de colaboração. No disco temos várias participações como Lucas Santtana, Roberto Mendes, Gerônimo e B Negão. B Negão inclusive virou um parceiro constante nosso em shows, carnaval etc. e sempre trocamos idéias e informação musical. Tocamos na China junto com o Ilê, e pensamos em participação deles no disco, e temos parceiros da cena local constantes como Fael Primeiro, MC e pensador criativo que junto com Russo renovou a maneira de cantar dos mcs e fez a conexão deles com a cultura de rua de Salvador, dos blocos afros.

- Vocês também tocam em outros projetos musicais? 
- Sim, todos nós de alguma forma tocamos e contribuimos para outros trabalhos, que acabam completando e renovando a nossa criação para o BaianaSystem também. Hoje em dia a música funciona dessa forma. Todos participando e colaborando com muitas coisas. Russo tem o DubStereo e o Bemba trio, além de ser chamado para participar de vários outros trabalhos, Sêco toca com muita gente e produz o Bahia Voodoo e o Rádio mundi. Batata toca com muitos artistas, e Chico Corrêa tem seu trabalho próprio com a Chico Corrêa Eletronic Band. Enfim... Nos alimentamos dessa troca

- Já estão pensando em um próximo disco?
- Sim, já estamos. Temos algumas músicas já prontas e testadas em shows e idéais para as participações do disco, que devem continuar a ter grande importância. Devemos começar a gravar algumas bases nesse segundo semestre e a idéia é lançarmos o disco neste ano.


Baiana System - Barravenida




BaianaSystem - O Carnaval Quem é que Faz?
(Com Lucas Santtana)




Trío Elétrico da BaianaSystem 
(Com Ramiro Gonzalo tocando a música de Ramiro Musotto)

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