3.6.13

Artes combinadas

Alto Astral

El artista plástico brasilero Gian Paolo La Barbera, músico amante de las sonoridades de la black music, tiene un increíble historial de ilustraciones para el arte gráfico de discos y todo tipo de artículos ligados al rock de herencia cultural negra. Lo más interesante es que hasta en las temáticas más variadas, su pincel amigo del proceso digital sabe convertir en música todo lo que toca.

Diego Oscar Ramos

Que hay vínculos entre las distintas ramas del arte y la expresión, eso lo podemos sentir de muchas maneras. Y también que Internet, con las redes sociales como región de intercambio babélico, pueden servir para encontrar gemas estéticas inesperadas o artistas que traen un mensaje multimediático con el que precisábamos conectarnos. Fue justamente en marejadas internéticas cuando tuve el primer con el arte de Gian Paolo La Barbera,  artista plástico que ha publicado todo tipo de ilustraciones en medios ingleses como Dazed and Confused, Fused Magazine o Shook, en revistas norteamericanas como Wax Poetics y medios gráficos como Playboy, Rolling Stone, Vogue RG y MTV Magazine en su Brasil natal. Y si la música suele ser un tema fundamental en los intereses del ilustrador, esto no sólo se manifiesta en diseños que ha hecho para el arte de discos de artistas como Ed Motta, Wilson Simoninha, Clube do Balanço o Marcelo D2, sino también en las publicaciones permanentes en la red de la música que suele preferir, la que en promedio se basa en artistas con mucho groove, que recrean de modo diverso la música negra norteamericana con centro en el funk, el soul y todas sus posibles combinaciones o mutaciones. 
Tanto le atrae esta musicalidad, que ha dado su propia visión de estos géneros, con el grupo Modo Solar. Eso sí, esta relación pasional con la música no le ha imposibilitado trabajar en la prensa diaria brasilera, en diarios como Gazeta Mercantil, dibujando personalidades de la economía o la política. De todos modos, con justicia a la atracción inicial frente a sus imágenes llenas de swing, el eje de esta entrevista (transcripta aquí en el portugués nativo del artista, muy comprensible para todo hispanohablante que lo lea con atención) está inevitablemente centrada en su arte musical.


- Você acha que existe alguma especificidade na arte visual vinculada com a música?
- Não sei se existe algo específico nas artes gráficas que são vinculadas à música, o que eu gosto, é quando elas se unem pra formar um todo, um sentido comum. O melhor exemplo disso é a representação que uma imagem faz de uma obra musical nas capas de discos. Esse conceito, que foi desenvolvido com maestria no século XX, através da popularização da música gravada, me interessa muito. Gosto de trabalhar com diversos temas mas acho que acabei sendo "empurrado" pra trabalhar representando a música, pelo meu interesse gigante por essa arte.

- O que um músico precisa ter para que você tenha vontade de o retratar?
- Alma.     
   
- Voce tem que gostar mais da sua música para facer um retrato do musico, ou isso nao importa tanto?
- Procuro fazer bem todos os projetos com os quais me envolvo pois, como trabalho com isso, muitas vezes não posso me dar ao luxo de desenhar apenas artistas que gosto.

- Sei que você gosta muito da música negra norte americana, qual é o legado dessa música para o mundo? E o que acha que existe nessa música para que você goste tanto?
- Um assunto gigante né? Os negros concentraram todo o peso do sofrimento de sua adaptação às Américas em sua cultura. Ela foi a essência de sua resistência e, principalmente, de sua sobrevivência.  Eu acredito que isso fez com que essa música tivesse uma força, uma veracidade no discurso, que poucos fenômenos culturais conseguiram atingir. Por isso, talvez, a influência que exerceu sobre a música popular do Séc XX seja tão imensa. E outra, como ela desenhou diferentes contornos nos três principais vértices em se estabeleceu, cada um com suas características próprias: Estados Unidos, Cuba e Brasil. Eu acho que é esse o principal legado dessa arte: a verdade. Da maneira mais direta possível ela atinge todos os espaços vagos de sua alma e os preenche sem nenhum pudor. Eu, recentemente, dediquei toda uma série de ilustrações à música negra chamada Soul Sketches. Pretendo que isso se torne um livro no futuro.


- Que semelhanças e diferenças voce enxerga entre desenhar artistas e políticos? Entre trabalhar para imprensa de música ou arte e a imprensa mais cotidiana, de jornal?
-  A tem muita diferença aí! Trabalhei durante dois anos desenhando diariamente em um tradicional jornal de economia aqui em São Paulo, a Gazeta Mercantil. Foi um período divertido pois, desenhar políticos e personalidades da área econômica, te dá a oportunidade de brincar muitas vezes com essas figuras! Eu pude carregar de ironia meu traço pra satisfazer minha frustração com essa categoria de pessoas!


- Gostaria que falasse da sua técnica, do seu estilo.
-  Eu sempre fui um autodidata e fui aprendendo, aos poucos, as técnicas mais tradicionais de desenho e pintura. Primeiro o grafite sobre papel e depois aquarela, óleo e acrílica. Em seguida, com a popularização das ferramentas digitais, eu fiquei por um tempo trabalhando com arte vetorial. Atualmente eu tento equilibrar esses dois universos mas tenho tido mais prazer e voltei a trabalhar muito com pintura.


- Qual a sua opinião sobre a contribuição da era digital com relação ao trabalho do ilustrador?
- Acho que as ferramentas servem apenas como extensão do que o artista tem como projeção de seu interior. Respeito quem sabe usar bem, não importando com qual meio, sua força criativa. Geralmente, quando trabalho no computador, faço todo o projeto digital. Mas existem casos de usar técnicas mistas, de passar pelo traço antes de finalizar o trabalho no computador.




- Qual é o trabalho que fez para algum músico, como ilustrador, que te deixou mais satisfeito? 
- Pra mim, a confiança é uma parte fundamental do resultado final do projeto e os melhores trabalhos saem dentro desse prisma. Se quem te chama gosta da sua arte, tem de te deixar livre pra realizar. E eu vejo muita diferença, infelizmente, dos profissionais com quem trabalhei no exterior em relação aos brasileiros. Os americanos, europeus e japoneses sempre confiaram muito mais. Mas, existem as exceções e posso citar alguns artistas em que o processo foi muito prazeroso: Ed Motta, Wilson Simoninha e Paola Pelosini. No caso do Ed, pela dimensão que ele tem na música brasileira, eu achei inicialmente que poderia ser complicado, que ele poderia ser muito exigente e controlador. Era a impressão que eu tinha dele como artista. Mas ele provou ser o contrário disso, um cara super aberto e que, apesar de saber exatamente o que queria em todo o processo, me deixou totalmente independente pra criar. Ele foi de uma gentileza ímpar e até bancou alguns pontos do meu trabalho em relação à gravadora! Com o Simoninha, o processo foi parecido, ele foi um cara super confiante e me deixou totalmente à vontade! A Paola é uma artista que lançou o primeiro trabalho solo e teve muita paciência pra receber os primeiros estudos. Acho que a demora acabou valendo à pena pois é um dos trabalhos que mais gostei do resultado. Ah, sem deixar de citar aqui o Marco Mattoli e o Clube do Balanço. Trabalhei no segundo álbum do grupo e acabei fazendo mais a direção de arte, o que me deu muito prazer pois foi um processo diferente do que eu estou acostumado. Com mais gente envolvida, fotógrafo, figurinista, estúdio etc...


- Voce é tão feliz desenhando como fazendo música? No caso do Modo Solar, por exemplo?
 - O Modo Solar, projeto que realizei com meu parceiro Fabrício DiMonaco, foi um sonho realizado - o de lançar um álbum –  que começou de maneira bem despretensiosa, caseira e acabou dando certo, foi lançado na França, com distribuição mundial, entrou na programação de rádios pelo mundo etc... Acho o fazer música completa o fazer desenho. Tenho necessidade das duas coisas. Uma é água, a outra pão. Aliás, Já estou sentindo falta de um novo projeto musical!





- Que importancia você acredita que as redes sociais como o facebook exercem para teu trabalho como artista, tanto nas artes gráficas quanto na música? E como pessoa?
- Pra quem exerce um trabalho de maneira autônoma como eu, as redes sociais servem com uma poderosa ferramenta de divulgação e de contato direto com as pessoas. Você atinge um público muito maior do que atingia antes e de maneira muito mais eficaz. Pra mim, virou parte essencial do meu trabalho atuar nesses meios. Pessoalmente, como falei anteriormente, interessa menos a mídia e mais quem está por trás dela. Se você souber filtrar o conteúdo do que chega em você vai ter um meio interessante de divulgação de idéias, de cultura, de entretenimento, para reencontrar amigos e conhecer novos e até de atuação política se essa for a sua. Com relação à música a revolução causada pelas redes sociais é gigantesca, para o bem e para o mal. No nosso caso, o MySpace, à época, foi fundamental para a divulgação de nosso projeto e para o lançamento mundial do EP. Isso, há alguns anos, era inconcebível para um artista independente, principalmente no Brasil. Por outro lado eu acredito que existe um número muito grande de arte sendo produzida sem muito tempo para que o artista depure o seu estilo, a suas concepções, o seu pensamento artístico. Atualmente existe um sentido de urgência, uma velocidade na sociedade que faz, em muitos casos, com que o conteúdo de uma obra seja deixado em segundo plano. Seria preciso que os novos artistas tivessem mais tempo de introspecção. Mas não sei se é isso que as pessoas demandam nos dias de hoje.




- Assim como se fala do groove na maneira de tocar da música negra, você acha, de alguma forma, que existe groove na maneira de desenhar?
-  Hmm, nunca pensei nisso mas talvez muitos artistas no Brasil precisem de muito groove pra conseguir sobreviver apenas de arte! Sim, acho que sim!





TEMAS DE MODO SOLAR









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